Lembrei que havia jurado jamais largar a sua mão, ainda que estivéssemos desgastados, cansados, ou brigados e jogados um pra cada canto. Lembrei porque nossa música tocou agora há pouco e percebi que já não pensava em você ou sentia sua falta já fazia algum tempo, mas que ainda assim o vazio que você me deixou ainda existe. Lembrei que te dei todo o amor que eu tinha, e que recebi toda a paz que havia em você. Lembrei que me dei por completo, e te recebi por completo, mas que não nos encaixamos. Não formamos o tal casal perfeito, e muito menos fomos feitos um para o outro, mas mesmo assim, existiu amor. Existiu carinho, companheirismo, e tudo que um casal tem direito, mas nós não nascemos destinados um para o outro. Não sou sua metade da laranja e muito menos você a minha, mas que você me deixou um buraquinho lá no fundo, deixou. Acho que meio que faz parte, não foi para ser e não podemos dizer que não tentamos. Simplesmente não era, mesmo que a gente realmente quisesse. O que não consigo entender é: como o vazio pode ser tão imenso e persistente depois de tanto tempo? Me livrei da falta, mas não me livro disso. Você levou contigo um pedaço de mim e me despedir de você nunca foi tão triste… Algo em nós fazia eu me sentir viva, feliz e realmente eu amei estar ao seu lado. Mas, conforme o tempo passou algo faltou, não preenchia mais, era como uma roupa que não serve mais, e amamos ela. Só não cabia em mim. Do nada, passou. Despedidas não são fáceis, é por quê seria? Nunca é. Quanto mais pra alguém próximo. Eu sei que não é o melhor a se fazer esquecer alguém. Mas, às vezes é preciso. Para encontrar outro alguém ou um certo alguém que seja diferente. Para mim seria você, mas o destino disse que não era.

By: Flávia, Ana Laura, Isadora and Ana Luiza written in imperfeita-s

Eu te conheci em um desses encontros casuais entre amigos para comemorar sei-lá-o-que com muita bebida e música. Você vestia uma camisa branca e jeans, e belos pares de tênis. Bem vestido, bem arrumado e com perfume encantador. Até tentei descobrir o nome através do cheiro no ar que ficou quando passou por mim, mas confesso, me entorpeceu demais para isso. Era um cara comum, em uma noite comum, entre pessoas comuns. Mas tinha alguma coisa que me fazia acreditar: o comum às vezes pode nos surpreender. E nossa! Você me surpreendeu. Fez-me perceber o quanto algo pode fazer bem e ao mesmo tempo ser diferente. No ponto de vista que, não nos conhecemos em momentos clichês ou festas, e sim em um encontro de amigos, já é algo em comum. E pode se dizer, você estava na hora certa, e no lugar certo. Porque quando eu o vi pela primeira vez, desejei por milhares de vezes sentir essa emoção, e até leves borboletas no estômago, aquelas que só de ver o seu sorriso chegam do nada, como se fossem intrometidas. Me fez acelerar o coração e estremecer por dentro. Foi em um desses encontros tão rotineiros, mas confesso que tive vontade de arriscar uma paixão. Poderia ser você, por que não? Nada me impede de tentar. É engraçado a forma como simples coisas mexem com a gente, como simples sorrisos deixam tudo de pernas pro ar de repente. Mas quando te vi, foi como se o mundo parasse e eu só pudesse ver você. Como se fôssemos os donos da noite. E foi ali onde essa paixão tão doce nasceu, no meio da noite, com o motivo de você ser simplesmente tão surpreendente que vale arriscar qualquer moeda. Surgindo assim esse cheiro de amor, dos leves, que acalmam a alma e que fazem um bem danado. Um cheiro doce, de amor gostoso, que te faz querer se entregar de corpo e alma, que vale a pena o risco, que vale a pena sair da mesmice de sempre e entrar em uma aventura de amar.

Não adianta esperar a primavera e não florescer.

Telegrafa-r

Eu me sentei sozinha na mesa de um bordel qualquer e esperei, esperei algum estranho sentar-se junto de mim e me oferecer uma bebida, um lanche, qualquer coisa. Eu precisava provar à mim mesma que eu não seria uma solteirona morando num apartamento do tamanho de um banheiro para sempre, que eu teria algo que me motivaria a continuar vivendo. Eu precisava que um estranho me tirasse aquela terrível sensação de que Deus não tinha escrito a minha história, de que Ele me esqueceu, me deixou para segundo plano e acabou desistindo de mim. Eu precisava de alguém, um cara, uma mulher, um senhor, qualquer pessoa que conversasse comigo, perguntasse como estou, qualquer coisa. Eu não podia continuar naquele apartamento sozinha, ninguém iria notar que eu existo ali dentro. Eu saí e as pessoas continuam não me notando. Acho que sou invisível. Milhares de pessoas passam por mim todo dia, nenhuma tenta decifrar meu olhar perdido, minha tristeza. Toda a sensibilidade dos bons tempos foi perdida. Um buraco negro invadiu o coração das pessoas e tomou conta dele, exatamente igual ao que aconteceu com o meu coração. Sinto que ele não bate mais com a mesma força, sei que isso é biologicamente impossível, mas nunca entendi biologia mesmo. Eu não vou dizer que sou uma pessoa agressiva mas às vezes da vontade de espancar uma megera chamada solidão, ela entra devagarzinho e quando se vê, não há mais espaço nem para respirar. Não importa aonde eu vou, não sou notada, não sou motivo de apreciação, não sou bonita por fora e sou estragada por dentro. Pensando bem, mesmo que eu tivesse todas as companhias do mundo acho que ainda me sentiria incompleta. Acho que sou incurável. Cada parte dentro de mim, está presa numa melancolia sem fim, cada parede daquele apartamento também, tudo em volta de mim se torna preto e branco, nada tem mais cor, é como se meu coração tivesse um daltonismo incurável, incapaz de enxergar cor na vida e nas pessoas. E hoje aqui, eu só queria tentar achar um pontinho de cor, ou me iludir com um, achar um motivo, mesmo que de mentira, que me faça ver que a vida é colorida, que me faça ver que o amor existe. Pois já desisti de fazer preces que nunca serão ouvidas.

By: Stéfanny, Beatriz and Eduarda written in imperfeita-s.

Sem dramas, sem posse, fim. O fim veio claramente num dia como qualquer outro. Não poderia prever. Queria ter sentido algo. Queria saber que a gente ia terminar. Poderia ter feito algo diferente, não poderia? Hoje vejo que não. O fim as vezes é inevitável. Nós dois não passávamos de bombas-relógio. Um relacionamento prestes a explodir. Mesmo que a todo momento eu tentasse salvá-lo, nada mudaria isso. Eu era complicada, confusa, alterava o humor constantemente e que estava em conflitos comigo mesma o tempo todo. Você era daqueles dramáticos, inseguros, que arrumava problema com qualquer palavra diferente que eu dizia. Pra falar a verdade, não sei como durou tanto assim. Há tantas perguntas irrespondíveis sobre nós, e eu queria muito que estas tivessem respostas. Eu sempre ouvir dizer que a dor deve ser sentida, só agora percebo o que essa frase significa. Éramos incógnitas e nem ao menos percebemos isso. Nosso destino era incerto e nós sabíamos disso, apenas não admitíamos. As vezes o fim deve ser assim mesmo, sem previsão, sem aviso prévio. Como aqueles band-aids arrancados com força de uma vez só, dói na hora, mas então passa e você supera. E assim que deve ser, doeu, mas vai passar. Eu queria permanecer na dor desse band-aid arrancado, mas não. Fiquei no vazio, nas palavras que deveriam ser ditas e não foram. Na falta do beijo e do carinho. E presente na solidão. Acabou tudo tão incerto, um momento no conto de fadas e num piscar de olhos na beira do abismo. Se não, na queda já. Se soubesse teria evitado tal piscada, talvez as coisas pudessem ainda estar encaixadas.

By: Renata, Eduarda, Isabelle and Ana Beatriz written in imperfeita-s

Você não sai de mim.
E o engraçado é que você nunca tá aqui.

Luna, casebre. 
hefck